Por Uma Intelectualidade Cristã!







domingo, 25 de novembro de 2018

A LEI DA PROVA


          — Muito bem, conforme o combinado, faremos agora a prova. A prova é sem consulta, pode ser feita a lápis; o valor da prova é quarenta pontos; as questões de múltipla escolha só possuem uma resposta certa; entregarei as provas viradas agora e só pode desvirar e começar a fazer quando eu disser. Vocês têm vinte minutos para fazer a prova.
            Só isso?!
            —É tempo mais que suficiente.Tudo foi friamente calculado.
            O professor termina então de entregar as provas e diz:
            — Pronto. Podem começar.
            — Iiiiii, não sei nada! – diz um aluno.
            — O nome vale nota?
            - Sem piadas, caso contrário, tomarei sua prova e darei zero.
            Passa-se um minuto e meio mais ou menos.
            — Professor.
            — Pois não.
            — Pode fazer a lápis?
            — Pode, pode fazer a lápis, à caneta, à canetinha, a giz de cera...
            — A carvão.
            (risos)
            — Já falei que é para permanecer em silêncio!
            — Oh professor, dá um minuto para olhar o caderno!
            — É mesmo professor! Deixa fazer em dupla!
            — Será que serei obrigado a tomar a prova de alguém?! – diz o professor irritado.
            Os alunos se aquietam então por uns sete minutos e se concentram na prova. O professor anda pelas filas da sala para fiscalizar se ninguém está colando.
            — Professor.
            — Pois não.
            — Pode escrever atrás da folha se não couber na frente?
            — Pode.
            — Pode pegar um livro de outra matéria para colocar a prova em cima?
            — Pode.
(...)
            — Professor.
            — Diga.
            — As de marcar x só têm uma certa?
            — Sim.
(...)
            — Professor.
            — Pois não.
            — Pode vir aqui um pouco.
            — Fala.
            — Não entendi muito bem essa parte: o que é lógica mesmo?
            — Não posso responder.
(...)
            — Professor.
            — Pois não.
            — Poderia vir aqui um pouco.
            — Fala.
            — Essa daqui, olha.
            — Sim.
            — Está certa?
            — Não posso dizer.
(...)
            — Quanto vale a prova mesmo?
            — 40.
(....)
            — Quando é a recuperação?
            — Não sei ainda.
(…)
            — Professor, o senhor divide a nota ou só soma?
            — Só somo.
(...)
            — Terminei a prova, posso entregar?
            — Não, vou pegar todas de uma só vez.
            — Pode desenhar atrás da prova?
            — Pode.
            — Professor, duvido que o senhor sabe o que são falácias.
            Todos caem na gargalhada.
            — Retire-se do local.
            — Por quê? – Pergunta o aluno espantado.
            — Já disse que não era para atrapalhar a prova.
            O aluno sai contrariado, o professor pega sua prova e dá zero. A prova então se encaminha para o fim.
            — O tempo está acabando. Não se esqueçam de colocar o nome. – Diz o professor.
            — Precisa passar à caneta?
            — Não.
            — Pode deixar a lápis mesmo então.
            — Pode.
(...)
            — O tempo acabou. Vou passar recolhendo as provas.
            O Professor passa então de mesa em mesa recolhendo as provas. Mas em uma mesa um aluno diz:
            — Espera só um pouquinho professor.
            O professor espera alguns segundos, enquanto isso outros alunos do outro lado da sala tentam colar, ele então se dirige para eles e diz:
            — Não tentem colar, estou vendo tudo.
            O professor então pega a prova do aluno de modo levemente forçado. O aluno então exclama:
            — Ahh! Não vou tirar a nota máxima só por causa dessa questão.
            O professor corre então contra o tempo: deve recolher as provas, ver se todos colocaram o nome e ainda cuidar para que os alunos não se aproveitem desse momento para passar colas uns para os outros. Enfim o professor aliviado recolhe todas as provas. Pergunta por fim:
            — Todos entregaram?
            Ninguém diz nada. Ele pensa consigo: “se não entregou não entrega mais”.
            — Professor, qual era a resposta da cinco?
            — Não posso dizer.
            — Ué, mas a prova já acabou!
            — É que ele vai dar a mesma prova para outras turmas.
            O professor fica calado.
            — Vai corrigir agora?
            — Não.
            — Ah professor, corrige a minha.
            O sinal toca e liberta o professor daquela sala para prendê-lo à outra e ele vai iludido por um fugaz alívio na distância curtíssima entre uma sala e outra. Olha para a turma e se despede:
            — Tchau pessoal, muito obrigado até a próxima aula, fiquem com Deus.
            — Tchau Professor, vai com Deus. Dá uma força na nota lá professor.
            E essa é a lei da prova tão fixa e tão previsível quanto a lei da gravidade.

6 comentários:

  1. Boa ...veridica e realmente parte do cotidiano do professor!

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    1. Muito obrigado! Creio que todos os professores poderão reconhecer os elementos presentes nessa crônica.

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  2. Esse texto relata exatamente o que se passa numa sala de aula :0 Parabéns, Professor! Texto descontraído mas com muitos ensinamentos :}

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    1. Muito obrigado! Fico contente de ter passado essa exatidão em relação ao que ocorre e ao mesmo tempo ter alcançado esse tom descontraído.

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  3. Exatamente o que acontece em sala de aula! Parabéns pelo relato professor!

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    1. Muito obrigado! Fique com Deus e obrigado por ler os artigos.

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