“Militia est vita hominis super terram”[1].
“De cetero fratres confortamini in Domino et in potentia virtutis eius induite vos arma Dei ut possitis stare adversus insidias diaboli quia non est nobis conluctatio adversus carnem et saguinem sed adversus principes et potestates adversus mundi rectores tenebrarum harum contra spiritalia nequitiae in caelestibus propterea accipite armaturam Dei ut possitis resistere in die malo et omnibus perfectis stare state ergo succincti lumbos vestros in veritate et induti loricam iustitiae et calciati pedes in praeparatione evangelii pacis in omnibus sumentes scutm fidei in quo possitis omnia tela nequissimi ignea extinguere et galeam salutis adsumite et gladium Spiritus quod est verbum Dei per omnem orationem et obsecrationem orantes omni tempore in Spiritu et in ipso vigilantes in omni instantia et obsecratione pro omnibus sanctis”[2].
A finalidade da luta é a vitória, nada mais evidente, porém, quando se trata do fim último sobrenatural da vida, devemos entender com clareza de que vitória se trata.
É sabido que os católicos devemos lutar, mas quando pensamos que a luta basta, quando pensamos que a mera participação na batalha já nos justifica perante o cumprimento do dever, erramos. A forma de lutar também é importante, bem como a disposição com a qual se luta. Uma dessas disposições que devemos ter ao lutar é o desejo de alcançar de fato a vitória, não se deve lutar apenas para poder dizer à própria consciência: “Ao menos tentei!”
O campo de batalha mais imediato é o próprio coração, no qual se devem vencer os vícios, as más inclinações e tudo o que nos afasta de Deus, e assim acabamos por ser vitoriosos em nosso interior, vitória essa profundamente unida com a Graça Divina. Mas também há a família e a sociedade como um todo, e o amor nos leva a querer vencer também aí, não para nós, mas para Deus, a quem devem ser dadas toda a honra e toda a glória.
É importante destacar que a vitória cabe a Deus e que não podemos ter a garantia de vencer sempre, no entanto sempre somos obrigados a lutar e a lutar para vencer. Se a derrota não se deveu à nossa negligência, ainda saímos vitoriosos, pois cumprimos o nosso dever. O que não podemos é lutar por lutar, lutar sem esperança, sem confiança, não podemos lutar com a certeza da derrota. Isso não podemos! Assim como a vitória cabe a Deus, a nós cabe a confiança e a esperança. Além do mais, Deus sempre é vitorioso, se estamos ao Seu lado todas as derrotas são mera aparência, pois tudo concorre para o bem dos que amam a Deus (Epístola aos Romanos 8,28).
O que devemos visar com a vitória? A glória de Deus, a salvação das almas. E se perdermos? Deus é glorificado pelo cumprimento do dever, que santifica aqueles que lutam. E como vencemos? Principalmente pela oração, é o que nos ensina o princípio da superioridade da vida contemplativa sobre a vida ativa, conforme brilhantemente explicado no livro “A Alma de Todo Apostolado”. Quais são as oportunidades de vencer? Inúmeras: um gesto de paciência, um ato de caridade, o esforço de rezar um rosário, uma penitência, o combate a um mal pensamento, em tudo isso há luta e pode haver muitas vitórias com a Graça de Deus. Tais vitórias na vida espiritual interior e individual contribuirão mais do que se imagina para as vitórias no âmbito social, e tais êxitos devem sempre confluir para a vitória do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A oração é a principal causa eficiente das vitórias católicas, pois através dela Deus age e nos ajuda a agir; tal ensinamento é seguro, posto que ensinado, vivido e comprovado pela prática constante da Igreja.
Que Deus nos proporcione a graça de uma sábia disposição para a luta, pois a índole sobrenaturalmente triunfalista é própria dos bons católicos. Salve Maria! Viva Cristo Rei! Sempre![1] A vida do homem sobre a terra é uma guerra. (Jó 7, 1).
[2] De resto, irmãos, fortalecei-vos no Senhor e no poder da sua virtude. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demónio [sic]. Porque nós não temos que lutar (somente) contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades (do inferno), contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos (espalhados) pelos ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, e vestindo a couraça da justiça, e tendo os pés calçados (prontos) para ir anunciar o Evangelho de paz; sobretudo tomai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do (espírito) maligno; tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito (que é a palavra de Deus); orando continuamente em espírito com toda a sorte de orações e de súplicas, e vigiando nisto mesmo com toda a perseverança, rogando por todos os santos”. (Epístola aos Efésiso 6, 10-18).
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