Há
tempos atrás eu costumava assistir aos vídeos do venerável Fulton Sheen. Num
desses vídeos ele disse uma frase que me marcou: “Only God can make a tree”[1].
Com freqüência lembro-me dela, principalmente quando estou caminhando e
naturalmente acabo me deparando com muitas árvores. Há tantas coisas que apenas
Deus pode fazer, por que falar justamente de árvore? De fato é possível
substituir “árvore” por uma infinidade de outras criaturas, mas foi a frase que
Fulton Sheen usou e, além disso, tenho uma predileção pessoal por elas. É
possível, contudo, justificar a oportunidade do uso do termo “árvore” nessa
frase.
Mons. Williamson ensina que a vida
em grandes cidades é uma das causas do distanciamento da realidade, distanciamento
este sofrido pelo homem moderno. Neste ponto o camponês estaria em melhor
situação, pois possui um contato maior com a criação. Mons. Williamson ensina
também que a vida nas grandes cidades contribui para o antropocentrismo ou
humanismo, devido à convivência excessiva com coisas criadas pelo homem.
Precisamos nos esforçar para
contemplar a criação. E agora explico porque é oportuno o uso do termo “árvore”
na frase que dá título a este artigo. Ainda que em grandes cidades podemos
contemplá-las, ainda que em suas regiões centrais; podemos contemplá-las nas
regiões afastadas e em quase todas as partes. Alguém poderia objetar que sempre
podemos também contemplar o sol e o céu, mas eu contra-argumentaria que um dia
bem nublado é capaz de nos roubar tanto o sol como o azul do céu, mas não pode
nos roubar as árvores. Alguém poderia objetar que sempre podemos contemplar a
terra, mas eu contra-argumentaria que em muitos lugares a terra não pode ser
vista com grande facilidade, pois há lugares em que a única coisa que se vê por
quilômetros são asfaltos e calçadas. Nem sempre podemos ver pássaros, nem
sempre lagos ou cursos de água.
Resta concluir que são as árvores,
que podem ser vistas de longe e contempladas detidamente, as criaturas mais
representativas da criação em nosso cotidiano urbano. Das ações singelas pelas
quais alguém se possa alegrar poucas se equiparam à ação de plantar uma árvore;
pode-se ver em conversas informais alguém apontar para elas e dizer: “aquela
fui eu que plantei... aquela outra foi meu pai... etc.” Um pai de família
sempre pode extrair um pouco de alegria ao olhar seu quintal e vê-lo povoado
por árvores plantadas por suas próprias mãos, mas poderá ter uma alegria muito
mais perfeita se souber que só Deus pode fazer uma árvore: “eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que
planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer.”[2]
Verdade. Eu nasci e m criei no campo. Sei bem o que é isso. Contemplar a beleza da criação de Deus.
ResponderExcluirViva Cristo Rei!