Por Uma Intelectualidade Cristã!







domingo, 3 de novembro de 2019

POSTE, ÁRVORE, CASA E MURO


Os postes parados
As árvores não
As casas paradas
As árvores não
Muros parados
As árvores em movimento.

As árvores vergam-se
Os muros não
As árvores balançam
As casas não
As árvores se agitam
Os muros permanecem imóveis.

Parados diante de quê? Diante de que em movimento?
Vento...
Um vento forte, acompanhado de chuva e de um céu com menos luz.
Dentre tantas coisas para se notar
Noto esta pequena coisa: o movimento e o repouso.
E como repousam os muros, as casas e os portões?
Como se o vento não existira.
Não fosse senti-lo em meu rosto
Nenhum deles me contaria do vento.
E como se movimentam as árvores?
Reagem ao vento cada uma a seu modo.
Os coqueiros trêmulos;
As mangueiras pesadamente
As araucárias como pêndulos.
Ainda que não sentisse o vento em meu rosto,
Elas me acusariam sua existência.
E cada qual como uma criança com distinta personalidade
Cada qual na sua empolgação peculiar narrariam,
Sôfregas, a um só tempo, algo de extraordinário.

Que posso desejar ao olhar para isso tudo?
Desejo enfrentar o vento forte.
Desejo em mim reunidos o poste, a casa, a árvore e o muro.
Casa para proteger;
Árvore pela mansidão e flexibilidade;
Muro para delimitar
E poste para indicar o Céu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário