Os
postes parados
As
árvores não
As
casas paradas
As
árvores não
Muros
parados
As
árvores em movimento.
As
árvores vergam-se
Os
muros não
As
árvores balançam
As
casas não
As
árvores se agitam
Os
muros permanecem imóveis.
Parados
diante de quê? Diante de que em movimento?
Vento...
Um
vento forte, acompanhado de chuva e de um céu com menos luz.
Dentre
tantas coisas para se notar
Noto
esta pequena coisa: o movimento e o repouso.
E
como repousam os muros, as casas e os portões?
Como
se o vento não existira.
Não
fosse senti-lo em meu rosto
Nenhum
deles me contaria do vento.
E
como se movimentam as árvores?
Reagem
ao vento cada uma a seu modo.
Os
coqueiros trêmulos;
As
mangueiras pesadamente
As
araucárias como pêndulos.
Ainda
que não sentisse o vento em meu rosto,
Elas
me acusariam sua existência.
E
cada qual como uma criança com distinta personalidade
Cada
qual na sua empolgação peculiar narrariam,
Sôfregas,
a um só tempo, algo de extraordinário.
Que
posso desejar ao olhar para isso tudo?
Desejo
enfrentar o vento forte.
Desejo
em mim reunidos o poste, a casa, a árvore e o muro.
Casa
para proteger;
Árvore
pela mansidão e flexibilidade;
Muro
para delimitar
E
poste para indicar o Céu.
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