Os
princípios da Doutrina Católica não devem ser confinados em nosso interior, não
devemos a ela um assentimento meramente silencioso da vontade. Devemos mais do
que isso: devemos professá-la exteriormente com palavras, gestos e atos. No
início da Igreja, é verdade, os cristãos mantinham escondida sua adesão a
Cristo, mas essa ocultação era parcial: em primeiro lugar porque se conheciam
entre si e em segundo lugar porque muitos, quando descobertos, confessavam a Fé
publicamente e pagavam o alto preço do martírio. Tamanha é a importância da
profissão externa da Fé que muitos católicos ao longo da história não recuaram
no cumprimento de tal dever, ainda quando os piores tormentos e a própria morte
os ameaçavam.
Depois dessa pequena introdução
falemos agora sobre política. O que o católico deve professar no âmbito
político? A resposta é simples e clara: ele deve professar a concepção católica
de política; ele deve professar os princípios solidamente estabelecidos pela Igreja
nesse domínio; ele deve professar, em suma, O Reinado Social de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Há muitos católicos envolvidos na
política que nem sequer tocam nesse assunto. São capazes de falar sobre
política por horas sem mencionar Nosso Senhor, sem mencionar a salvação das
almas, enfim sem mencionar nada ou quase nada do que diz respeito ao Reinado
Social. Tendo em vista que a boca fala do que o coração está cheio[1],
creio não ser juízo temerário afirmar que esses tais não têm no coração o amor
ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, também não o têm na
inteligência nem na memória, porque desconhecem o que tudo isso significa, e
muitas vezes isso ocorre por lastimável negligência: dissipam seu tempo a
estudar autores repletos de erros ao invés de beber na fonte segura dos autores
consagrados pela Tradição Católica.
Há diversas formas de trabalhar pelo
Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas creio que o dever mais
elementar é professá-lo, falar sobre ele, escrever sobre ele, falar sobre ele
para si mesmo, para os amigos e para todos os que nos ouvem. Ao mesmo tempo
deve-se também agir para que tal Reinado se concretize: ações pequenas,
pontuais, ações grandiosas, ações eleitorais, enfim não importa o caráter
acidental da ação, mas o seu caráter essencial de ser boa moralmente e ordenada
a Cristo Rei. Cada um fará o que for da sua alçada e o Espírito Santo saberá
coordenar tudo isso do ponto de vista absoluto da Providência. Não nos esqueçamos
de uma importante ressalva: O Reinado de Cristo começa nos corações e partir
daí estende-se naturalmente à ordem social. Por isso, acima de tudo o que foi
dito precisamos nos converter e ainda mais ousadamente diria: precisamos ser
santos. Precisamos também reconhecer que a política, atividade temporal que é,
está subordinada a uma ordem superior, portanto mais eficaz que qualquer ação
política é a oração, pois somos limitadíssimos e Deus infinito. As ações
políticas efetivamente deverão ser realizadas, mas, se não forem guiadas e
sustentadas por efetiva vida de oração do povo católico, nenhum bem efetivo
poderão realizar, pois “sem mim nada
podeis fazer”. As orações é que moverão o Coração misericordioso de Deus
para que nos inspire as ações corretas a serem realizadas, essa é a ordem das
coisas.
Defender o Reinado Social de Nosso
Senhor Jesus Cristo é um dever de estrita justiça, pois Ele é Rei por direito
conquistado. Rei dos corações, pois é o único que pode dar ao homem a
felicidade que este almeja; Rei da sociedade temporal, pois é o seu Criador e o
único que pode levá-la a cumprir sua verdadeira finalidade; Rei da Igreja, pois
é sua cabeça; Rei do universo, porque manda em tudo.
Salve Maria!
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